segunda-feira, 6 de maio de 2013

Vida e expressão


http://youtu.be/adYR0CjFtN8








Vida e expressão
Marcos Bayer

O exercício da vida é a busca constante da expressão. Cada um de nós procura sua melhor forma de interpretar, fazer e construir ao longo da caminhada. Impossível ignorar o impulso interno que se transforma em canto e faz jorrar mais vida. A vocação, a convocação a que somos submetidos diariamente, é a manifestação mais contundente da mente humana.
"Se as portas da percepção se purificassem, cada coisa apareceria ao homem tal como é: Infinita" disse William Blake, na Inglaterra do século XVIII.
A escola deveria ser a primeira instituição a ajudar na descoberta e no estímulo dos talentos de cada um. A empresa, a segunda.
A potencialidade individual, quando não revelada e desenvolvida, aniquila e subverte o ser. A expressão de cada um é tarefa sagrada, indispensável à conquista pessoal exigida pelo espírito. Em cada palco, seja ele qual for, do teatro ao canteiro de obras, da tribuna à mesa de audiência, do cavalete com a tela branca à cabine do avião, somos todos compelidos ao encontro com nossa expressão.
A vida, na agonia e no êxtase, é mais suportável quando se promove o feliz encontro entre a vocação e o seu pleno exercício.
E, assim, meio sem jeito, sem um querer absoluto, só na contemplação é que se percebe que na arte o homem encontra sua total expressão.
Pode ser num acorde, numa palavra, num gesto, num canto ou movimento, numa foto ou impressão, num passo ou num salto, na dança dos corpos ou num refrão.
A sociedade contemporânea, com todas as suas contradições, oferece através da WWW - world wide web - a maior oportunidade de todos os tempos para os que queiram viajar na História da Humanidade e encontrar o que de melhor o Homem produziu...

domingo, 5 de maio de 2013

Concerto para todas as vozes


http://youtu.be/pYrC8GQvqAQ



Concerto para todas as vozes


A arte é a vida continuada. Única hipótese em que o eterno cabe no humano é na arte... Fora disto o eterno ultrapassa o humano.
Se o espírito for inconstante, inquieto, incompreensível, impalpável, intocável, infinito e indestrutível, também só na arte será perene. E provocará todas as cores, dores e amores que deixou marcado pela mão do artista...
A arte não se supera por isto. Porque é sempre vida continuada...

05.05.2013 mb.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Estranhas Memórias II





Estranhas Memórias (II)
Marcos Bayer
E a onda bateu e voltou...
A onda que se formou no pós-guerra foi uma onda de completa reavaliação da vida humana associada. Antes dela, a Renascença Italiana, 500 anos antes, impondo uma reflexão no Ocidente sobre o fim das trevas e o início das grandes navegações e dos novos mundos recém-descobertos: As Américas do Norte, Central e do Sul.
Na segunda metade do século XX, nasceu a geração mais livre e mais crítica da história humana. Uma geração que questionou com Erich Von Daniken se os deuses eram astronautas. Uma geração que ouviu de John Lennon a frase: Somos mais famosos do que Jesus Cristo. Uma geração que ousou, quebrou regras, paradigmas, mudou hábitos, ensinou o diálogo com os pais, perguntou onde vamos colocar nosso lixo - até então lançado em qualquer matagal - como vamos morar uns em cima dos outros, pois os edifícios eram fenômeno mundial havia 30 ou 40 anos, que roupas usaremos, que sociedade queremos (uma casa no campo onde eu possa compor muitos rocks rurais), que educação necessitamos? Em Paris a manifestação dos estudantes em Maio de 1968, aqui a Tropicália, nos EEUU os protestos contra a guerra no Vietnã. Glauber Rocha e o cinema novo. Hair e Jesus Christ Super Star. O perigo na guerra nuclear no Hemisfério Norte, Luiz Gonzaga em Asa Branca no Hemisfério Sul.
Ernesto Geisel e o trem bala do Japão. Mortes e torturas pelas ideias. Chico Buarque canta Reconstrução. Caetano fala da piscina, margarina, da Carolina, da gasolina...
Eu vou ao Baturité e depois na Kizumba ouvir George Benson cantar Lady Blue. When you show me a different side... Because I love you more and more... Uma geração libertária que queria um mundo melhor. Em 1981, o Senador Ted Kennedy discursava nos jardins da University of Southern California e pedia aos governos americano e soviético: Nuclear Freeze. Aqui, em 1984, dignos senadores organizavam o movimento das Diretas Já.
O Brasil começa a viver a abertura política. As drogas da década anterior, a maconha e o álcool, especialmente, são adicionados à cocaína, depois ao ecstasy e ao crack final. Tudo fica punk.
Um sonho de paz e amor, do tamanho de uma geração, santa geração é substituído pelo pragmatismo econômico que vem com a queda do Muro de Berlin, 1989, e com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Garotos focados (não sabem no que), ternos iguais com gravatas sem cor, botões fechados próximos aos pescoços, executivos sem sonhos coletivos que aprendem a roubar desde cedo.
Mobilidade urbana, modais, gestão otimizada, sushi & sashimi, kite surf e narguilé. É muito pouco em troca de uma liberdade que não terminava no horizonte, de um velho calção de banho, de um dia para vadiar, de um mar que não tem tamanho e de um arco-íris no ar... Canta Vinícius teu lindo mar de Itapoã, falar de amor Itapoã...
Sociedade de criatividade escassa, talentos represados, contidos nas magníficas telas de PC. Diferente da bárbara bela tela de TV que cantava Gilberto Gil.
Genética, profética, cibernética civilização. A cada dia me despeço da vida. É muita coisa para guardar dentro do meu eterno peito juvenil...
E a consciência da minha finitude estrangula minha garganta.
Logo ela que tanto bradou.




domingo, 14 de abril de 2013

O outro


O outro
Marcos Bayer
O outro é máximo da possibilidade humana. Um não se completa senão no outro. O quadro pintado será legitimado pelo olhar atento do outro. A música será ampliada pelos ouvidos de muitos outros, assim como o texto será pelos olhos de tantos mais.
O amor se manifesta somente no outro. Esse tal de amor-próprio que tanto reverenciam, aqui e lá, nada mais é do que cuidado solitário. Uma ficção linguística para esconder a dor. A dor da ausência.
A inesgotável capacidade humana para criar e dar continuidade à raça se funde na eterna percepção do outro.
Eu te vejo nos meus olhos e me vejo nos teus.
Troca santa de sentidos faz do homem oportunidade monumental.
Tato milenar e industrial.
Enfermo e dor recebe compaixão e prolonga a vida.
Eu fundamental em quem me sabe e sente existência atemporal.
Ondas e curvas físicas ou meta físicas, harmonia conceitual.
Ondas do mar que quebram com as ondas cerebrais.
Movimentos internos conduzem todas as energias vitais.
Talvez por isto cante o poeta: For me there is no one but you...
O momento da percepção do outro é o máximo da possibilidade humana.
E não há outra hipótese, senão esta...

http://youtu.be/YcOVTlIdPCs


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Baker street






http://youtu.be/lSIw09oqsYo