sexta-feira, 10 de junho de 2011

Blue sun

Just blue, only blue, all blue...


Qual a cor da essência?
Azul?
Quando o mar encontra o céu, na linha do horizonte, qual a cor predominante?
Quando o sono chega, o sonho se instala, qual a cor dentro da cabeça?
Qual a cor da solidão, qual a cor do verão e da imaginação?
Qual a cor da inspiração, da existência e da emoção?
Qual a cor da dor e da superação?
Qual a cor do vento, do tempo ou de um momento?
Azul?
Do pintor ao poeta, do pirata ao pescador, do astronauta ao navegador.
Qual a cor da Terra?
Ainda é azul?
Qual a cor da água, qual a cor do nada, qual a cor da cor?
Qual a cor do cosmos?
Azul?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Touch less




Estamos entrando no mundo dos sem face. Somente os ícones da moda, dos esportes, das artes ou da política têm um rosto e ou um corpo para mostrar. A comunicação virtual cada vez mais aprimorada pelas redes sociais contribui para este novo desenho da afetividade humana. Os encontros diretos são adiados pelo primor das instantaneidades. Steve Wonder cantou em 1969: Maybe some day you’ll see my face among the crowd. Talvez fosse a visão de um cego sobre o futuro dos relacionamentos humanos.
A insensibilidade e a padronização nos comportamentos na sociedade moderna aniquilam com aquilo que há de mais precioso no homem: A singularidade.
O mais engraçado é como as organizações compõem este novo cenário de despersonalização comportamental. Vai da posição em que se fecham os botões dos paletós masculinos até a forma como escrevem os curriculum vitae.
Todos são pró-ativos, possuem capacidade de liderança, sabem gerir conflitos e obter resultados em grupos. São dinâmicos e inovadores. Parece que vivemos na melhor época da criatividade florentina, rodeados de Petrarca, Rafael, Michelangelo e Da Vinci.
O mundo virtual, com suas inegáveis facilidades, é um silencioso engodo para a condição humana.
Afora as chamadas cyberdependencies, provoca isolamento interpessoal.
Os nossos sentidos: Tato, paladar, visão, odor e audição estão sendo alterados neste “Admirável Mundo Novo”, para tomar emprestado o título de Aldous Huxley.
Nas novas telas, aprendemos as vantagens do touch screen. O acesso ao mundo conhecido e imaginado pelo homem dá-se pelo suave toque da ponta dos dedos.
Esta transformação leva para um mundo mais próximo da informação e, paradoxalmente, da mais remota na convivência.
Também nasce um linguajar que vai se adaptando aos novos mecanismos da comunicação. Lastreado no idioma inglês, nasce um novo sânscrito.
Eu sei que você está aí. Você me lê e talvez me ouça. Talvez me veja.
Mas, não me toca...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Um olhar sobre o século XX





Provavelmente nós que nascemos na década de cinqüenta do século passado vivemos a melhor juventude da era moderna.
Não sofremos os traumas do pós-guerra vividos, sobretudo na Europa. Não fomos vítimas da repressão sexual e pressentimos a era de Aquário sem a mera ilusão. Incorporamos a moda das calças de cintura baixa com boca de sino, dos cabelos compridos, da bandana na testa, da flor na orelha e da jaqueta de general, embora vermelha...
Brilho nos olhos, sorriso nos lábios e o rosto exposto ao vento e ao sol da alegria do pré-verão contagiava a nós todos. De “help me to get my feet back on the ground”, passando por “olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela menina, que vem e que passa, num doce balanço a caminho do mar”, até “No woman no cry – Oh, good friends we’ve lost, along the way, in this great future, you can’t forget your past, so dry your tears, I say”.
Havia uma esperança no ar, havia propósito na ação, havia vontade de reunião: nós queríamos nos encontrar para rir, falar e sonhar...
Uns fumavam baseados na ampliação, outros cheiravam a pureza que vinha da folha da coca, sob a luz de velas, ouvindo suavemente a Dionne Warwick cantar “Walk on by”, sem muita agitação...
O tempo era mais elástico, menos cronológico. Não por acaso se dizia: Esta noite vamos esticar até mais tarde...
As marcas representavam as duas ideologias: a foice e o martelo da URSS, a estrêla vermelha da boina do Che Guevara, as letras inclinadas da Coca-Cola, o cavalinho da Ferrari ou o Lee das calças jeans. Nós ainda discutíamos qual deveria ser o caminho para a humanidade. A ecologia começou a entrar na pauta: “Eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rocks rurais, e tenha somente a certeza, dos amigos do peito e nada mais”.
As mulheres, lindas e formosas, jovens ou maduras, usavam perfumes de acordo com suas características. Podia ser uma essência de gerânio, gardênia, flor de laranja ou patchouli.
Nossos pais escutavam Frank Sinatra cantar: “I did it my way”. Éh, naquela época as pessoas ainda tinham o seu próprio jeito de fazer as coisas. Não estávamos padronizados nem pela altura dos botões do paletó dos ternos escuros, sobre camisas opacas com gravatas sem cor. Não havia “download”, nem “blog” ou “pen drive” para tentar transformar o homem num ser indolor.
O Taiguara cantava e dizia sobre o cheiro do amor em “Universo no teu corpo”. Al Pacino representava o cego que sentia o perfume de mulher. Pelé fazia mil gols, depois de ter sido tri-campeão nos campos internacionais. Big Boy era o locutor das madrugas cariocas da rádio Mundial. Armando Nogueira escrevia no Jornal do Brasil a coluna mais poética do futebol. A Boeing lançava o Jumbo 747. Os carros da GM eram os mais vendidos no planeta. Carlos Castañeda fumava a erva do diabo e dizia: “Esteja alerta a cada segundo. Não permita que nada nem ninguém decida por você”. Nós vivíamos tempos de referências. Os que venciam usavam mais o talento do que o juízo. Não era preciso lograr. Hoje é só logro, roubo, dissimulação.
Andy Warhol previa que alguns teriam 15 minutos de fama. Hoje não se tem nem 15 segundos. É muita informação. Estamos na era do fast-food, virtual sex and internet banking.
Floripa era nossa, havia siri para todos. As praias eram limpas e as águas puras. Todos se encontravam no boteco da esquina. O nivelamento era mais pela inteligência e menos pelo dinheiro. A cidade, embora menor, era composta de mais personalidades. O tempo passou e não só Carolina não viu...

Veio a globalização, a homogeneização e a poluição. Tudo mudou. Algumas coisas ficaram melhores, outras piores.
Um negro governa a nação mais branca, protestante e anglo-saxônica do mundo. O G7 terá que ser ampliado para G20 em definitivo. A produção de cereais, entre eles a soja e o milho, e a criação de gado contribuem com 18% na emissão de gases para o aquecimento global.
O neoliberalismo quebrou grandes ícones do capitalismo, como: a General Motors, o Banco Lehman Brothers, a Swissair, a Virgin Megastore e alguns países. Entre eles a Argentina, Portugal, Grécia e Espanha...

Nem tudo está perdido, porém. Já somos sete bilhões procurando comida, trabalho e abrigo para morar. Aprendemos a calcular a pegada ecológica individual. A esperança de que a vida humana no planeta vá melhorar é o que nos move adiante. A mega sena ajuda.





Ainda bem. Como dizia o poeta, “navegar é preciso, viver não”.

domingo, 5 de junho de 2011

Coma, mas não trague...



Não sabemos exatamente como nossos antepassados começaram a comer e o que comiam. Aliás, não sabemos muito sobre nossos antepassados. Tudo indica que um primata, comendo o que estava à sua volta, começou a levantar-se até chegarmos ao homo sapiens, nós.
Neste processo, a alimentação foi fundamental para nosso desenvolvimento como espécie. Coletando frutas, sementes e caçando animais vertebrados para comer a proteína da carne, provocaram-se alterações nas arcadas dentárias e na forma do corpo humano, em razão destas dietas.
Nas civilizações orientais os hábitos alimentares diferem das preferências ocidentais.
Alguns cientistas atribuem a expansão da massa encefálica, o aumento da capacidade sináptica e, conseqüentemente, da Inteligência humana, à ingestão da carne.
O homem, também, sempre se movimentou. Corria ou andava, procurando ou fugindo dos animais e como forma de deslocamento. Remava ou nadava, para chegar a algum lugar. O cavalo, especialmente, e as velas, secundariamente, foram as primeiras “máquinas” de auxílio à mobilidade do ser humano.
De repente, a partir do século XIX, surgem: A locomotiva, depois o automóvel, o ônibus e o avião. Paralelamente aos novos meios de transporte, a humanidade experimenta a experiência de 1 bilhão de pessoas (1850) e, cem anos depois, 2 bilhões de pessoas (1950). Aí, claro, surge uma necessidade de produção de alimentos em larga escala, e com a descoberta da refrigeração, nossas geladeiras podem armazenar comida por mais tempo, aumentando a perenidade das verduras, frutas, carnes e laticínios e sucos.
Mas, neste surto de descobertas, a química também se apresenta. Ela vem para atuar na medicina e na conservação da vida. O leite que está na caixa de papelão revestida de alumínio, os sucos de frutas, as geléias e um rol de alimentos já não são mais naturais. Os conservantes, acidulantes e similares integram a dieta humana, hoje com 7 bilhões de consumidores.
No bojo deste processo de industrialização alimentar, surgem os movimentos macrobióticos, veganos, naturalistas, orgânicos e derivados.
Agora, como se não bastasse o banquete dos famintos, surgem os pepinos europeus e suas amigas bactérias.
Portanto, se você for comer alguma coisa, não trague... Pode fazer mal à saúde.