domingo, 5 de março de 2017

W.M. Bayer






W.M.Bayer

Marcos Bayer

Dia 14 de Março, próximo, fará 46 anos que WMBayer morreu em acidente na BR 101, aos 38 anos de idade, ali perto do Posto do Holandês. Era na tarde de um domingo...
Lembrar dos nossos queridos é parte da condição humana. Mas, na dor da ausência, na aguda dor da ausência, fica sempre um exemplo, um gesto, um grito e um pedaço do ser humano.
WMBayer foi criado e forjado em Tijucas. E trazia dentro dele toda a grandeza de uma pequena imensa cidade de um dos vales mais lindos desta Santa Catarina.
Com apenas 1,68 metros de altura foi campeão de salto (em altura) no Colégio Catarinense, em Florianópolis, numa turma em que foi colega do Senador Jaison Tupy Barreto, entre tantos outros ilustres barrigas-verdes.
Explodia em alegria, otimismo e vontade. Inteligência nunca lhe faltou. Determinação, também não!
Aos 33 anos, como Presidente da Confederação Nacional das Empresas de Crédito – CONTEC, no Rio de Janeiro, condenou o Decreto-Lei n° 72, de 21 de novembro de 1966, que reuniu os seis Institutos de Aposentadorias e Pensões no Instituto Nacional de Previdência Social – INPS.
Sem medo, em pleno regime militar, disse ao Ministro do Trabalho e Previdência Social Jarbas Passarinho, em sua sala de trabalho, no centro do Rio, sob as luzes do Jornal do Brasil e da imprensa brasileira, que aquele decreto aniquilaria os institutos de previdência já organizados, como o IAPB, dos bancários, e nivelaria por baixo a previdência nacional.
Foi ameaçado pela ditadura, resistiu em público e continuou sua luta sindical até retornar para Santa Catarina e começar a construção de seu sonho familiar em Tijucas.
Naquele domingo de tarde, em 1971, morreu...
Faço esta pequena digressão porque estamos vendo, agora, a destruição final da previdência pública no Brasil, sob o argumento de que está falida.
Quem a fez falir?
Estes nossos representantes que ganham R$ 34 mil mensais, mais R$ 97 mil de verbas de gabinete e mais compensações para almoçar, abastecer seus veículos, imprimir suas correspondências e remetê-las pelos correios?
Ou foram seus sonegadores, seus abutres internos, seus operadores inescrupulosos ou seus ladrões capacitados?
Que tipo de homens nos governa hoje? Pigmeus de caráter?
Que tipo de homens governará o Brasil de amanhã?
Entre as dúvidas e a saudade, deixo aos meus apenas o exemplo de meu pai, W.M.Bayer.











quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Da Corte Constitucional




Da Corte Constitucional

Marcos Bayer

As prisões de Sérgio Cabral, sua esposa, a ex-esposa, assessores, operadores, Eike Batista, a homologação das delações premiadas pela presidente do Supremo Tribunal Federal, o novo ministro relator substituto de Teori Zavascki, os nossos presídios superlotados, juízes, promotores, delegados e políticos com foro privilegiado, tudo isto e muito mais, nos obriga a algumas reflexões.
Soubemos pelo noticiário nacional que a Suprema Corte dos Estados Unidos da América julga em média 200 processos por ano, todos eles escolhidos por seu colegiado.
No Brasil, só no gabinete do falecido ministro Teori existem mais de sete mil processos. Multipliquem por onze membros e teremos 77 mil processos no STF.
A nossa Suprema Corte, copiada do modelo americano, sofreu pequena modificação, porque lá era, à época, uma República, aqui um Império. Logo, tínhamos que criar um foro privilegiado para os amigos do Imperador.
Mas, afora isto, no Brasil o tripé da Justiça: advogado – juiz – promotor, não é equilibrado. Os advogados correm atrás dos prazos fatais, os promotores são balizados por alguns prazos e os juízes por prazo nenhum.
O momento político, efusivo e efervescente, requer pelo menos um parlamentar corajoso e capaz para propor no Congresso Nacional as modificações no sistema judicial.
Foro privilegiado, prazos para julgar, redefinição das atribuições do STF, critérios de escolha para seus ministros e mandatos definidos a fim de evitar duas décadas de julgamentos para alguns, provocando a senilidade da Corte Suprema, são alguns tópicos para a discussão.
Ou então ficamos como naquela piada enviada por um perspicaz amigo meu:
O enfermeiro passava no corredor do hospício e viu o paciente brincando com um barbante puxando uma escova de dente, quando resolveu sacanear: Fulano, tá puxando o cachorrinho? 
Ao que ouviu como resposta: Que cachorrinho? Tu não vê que é uma escova de dente? 
O enfermeiro então exclamou: Tu não tá tão doido assim, vou falar com o Diretor e seguiu pelo corredor.
O doido do paciente então disse: Viu Totó, conseguimos enganar o enfermeiro bem direitinho.







domingo, 18 de dezembro de 2016

Então, devolve!




Então, devolve!

Olívio, o macaco que pensa.

Jornal, com edição de final de semana, circula num diário catarinense, cuja manchete lê-se, o seguinte: STJ AVALIA PEDIDO DA PGR PARA INVESTIGAR GOVERNADOR DO ESTADO. ,
Curioso como todo símio, fiz duas perguntas imediatas: (1) Qual governador? E (2) Qual Estado?
Então, lendo a matéria soube que o assunto dizia respeito aos catarinenses.
Nela, Raimundo Colombo, cujo apelido neste contexto é “ovo”, poderá ser investigado por suposta ligação com aspectos da Operação Lava Jato, pois numa certa planilha da ODEBRECHT INFRAESTRUTURA, estaria seu nome como suposto destinatário da quantia de R$ 4,8 milhões, divididos em três repasses.
Ainda na matéria, surge o nome de um agente público, contratado pela Casa Civil, em fevereiro deste ano, para cargo comissionado, com salário de R$ 10.242,00. Trata-se, informa o diário, do advogado eleitoral do PSD, nas eleições de 2012 e 2014, André Agostini Moreno.
Relata também, a mesma matéria, que o advogado foi conduzido coercitivamente à Polícia Federal, em 22 de março passado, para prestar esclarecimentos sobre eventual propina recebida em hotel, na cidade de São Paulo, onde estava hospedado o profissional do Direito, em outubro de 2014, no valor de R$ 1 milhão de reais.
O advogado do advogado sob investigação, nega recebimento de qualquer dinheiro da ODEBRECHT.
Toda esta maratona político-jurídico-policial faz parte da 26ª fase da Operação Lava Jato, denominada OPERAÇÃO XEPA.
Raimundo Colombo, diz na matéria, que não houve obra nenhuma da ODEBRECHT em Santa Catarina desde que assumiu o governo, em 2011 e nem contrato com a empresa.
Declara estranhar o fato da suposta propina e afirma: “Se não há relação nenhuma, é estranho”.
Sobre a suposta venda da CASAN para a ODEBRECHT AMBIENTAL, afirma o governador que sequer vendeu uma ação da companhia.
E, por último, coloca-se à disposição das autoridades para elucidar os fatos.
O agente público, André Agostini Moreno, advogado eleitoral do PSD, continua no cargo, recebendo o salário, até que se conclua a investigação.
Ora, como símio, e pouco chegado ao mundo jurídico dos humanos, eu me pergunto duplamente:
Se não houve obra, por que não devolver a propina?
Não seria uma apropriação indevida permanecer com ela?
Caso ela exista...










sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Detalhes do novo Brasil





 Detalhes do novo Brasil
Marcos Bayer

O Brasil vive a fase mais interessante do seu amadurecimento político pós 64. Depois dos atentados contra as liberdades e as garantias individuais, depois da reorganização da vida partidária que acabou em mais de trinta partidos, em grande parte, criados para exercerem a função de marionetes bem pagas com dinheiro público e sustentar meia dúzia de dirigentes safados, depois da chegada do Gabeira, do irmão do Henfil, do Brizola, do Arraes, depois da amizade de Glauber Rocha com Ernesto Geisel, depois da admiração de Golbery do Couto e Silva por gente da esquerda inteligente, depois do Pasquim, depois do Ivan Lessa, depois do Jornal do Brasil com a Coluna do Castelo e da Coluna do Zózimo, depois da Rádio Mundial e do Big Boy, depois da Tropicália, do Plínio Marcos e sua Navalha na Carne, depois de José Celso Martinez e seu TEATRO OFICINA, depois do Milton Nascimento e dos TAMBORES DE MINAS, depois do Chico Buarque e depois do Cazuza, nosso último iluminado, surge agora um jovem juiz que botou o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal para trabalharem.
Sergio Moro, no primeiro dia de Dezembro de 2016, em sessão de debates sobre legislação que trata de abuso de autoridade, no plenário do Senado Federal, deu um show de humildade, inteligência e perspicácia ao sugerir um pequeno adendo ao projeto de lei, na interpretação que um juízo pode ter em relação ao outro. Com esta simples salvaguarda, se adotada pelos senadores, ele satisfaz a classe da qual faz parte, todos os operadores do Direito, e fulmina o golpe pretendido por Renan Calheiros e mais quatorze membros da Casa.
Enquanto o senador cara pintada Lindbergh Farias, falava ofegantemente da tribuna, argumentando sobre as arbitrariedades da condução coercitiva de Lula ao aeroporto de Congonhas em São Paulo, achando que sua verborragia desestabilizaria a placidez do jovem Juiz, qual não foi minha surpresa ao ver Sergio Moro responder às provocações do orador dando-lhe as costas.
Lasier Martins, advogado jornalista, senador brizolista do PDT gaúcho e autêntico foi monumental quando, dirigindo-se ao ministro Gilmar Mendes perguntou-lhe por que os juízes do STF não julgam com a mesma celeridade do juiz federal de primeiro grau do Paraná, o Dr. Sergio Moro.
Ao final do dia, outras duas notícias: Emilio Odebrecht resolveu assinar a deleção premiada e o presidente do Senado da República, Renan Calheiros, foi colocado na condição de réu, por desvio de dinheiro público, pelo Supremo Tribunal Federal, por oito votos contra três. Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, o inocentaram! Tem ainda mais alguns processos em tramitação na Suprema Corte.
Finalmente começa a nascer um novo Brasil.


domingo, 20 de novembro de 2016

Mc Donald's














Mc Donald’s

Marcos Bayer

Os Estados Unidos da América, numa visão atual, podem ser vistos sob três óticas.
Donald Duck, obra prima de Walt Disney! Donald Trump, fruto da democracia mais representativa do mundo moderno e Mc Donald’s, a representação fast food da gastronomia yankee.
Dito isto, gostaria de comparar as bobagens que parte da imprensa mundial tem difundido sobre o novo presidente dos Estados Unidos, com as festas temáticas das senhoras de meia idade desocupadas. Porque as ocupadas não perdem tempo com festas temáticas!
As festas temáticas, escrevo pela terceira vez, são festas muito fantasiosas, por obviedade. Assim como algumas das opiniões de parte da mídia nacional.
Donald Trump, como nenhum outro presidente, explodirá o mundo apertando o botão vermelho da mala atômica. Antes de apertar o famoso botão, a decisão sobre ele, é triada por mais de 50 comandantes militares de primeiro escalão, além de forças econômicas poderosíssimas. Porque não se deixaria ao sabor de um só homem, ainda que presidente dos EEUU, esta crucial decisão. Afinal, ele poderia acordar de mau humor, tomar um porre de Jack Daniels do Tennessee, sofrer uma traição amorosa ou, por ato estabanado, apertar o botão fatal.
Outra das fantasias ditas é na questão dos imigrantes. Ele falou na campanha o que o povo eleitor branco e desempregado queria escutar. Ele não expulsará árabes e ou mulçumanos, tampouco mexicanos ou latinos e negros africanos. Ele expulsará tão somente criminosos fichados, ilegais desnecessários e eventuais ameaças humanas. Nada mais, pois como empresário ele sabe que força de trabalho mais barata ajuda no crescimento do PIB.
Ele, Trump, com todo apoio do capitalismo puro imporá necessárias barreiras alfandegárias às vassouras chinesas de U$ 1,99 dólares. Como aos inúmeros produtos Made in China. Se assim não proceder, em uma dezena de anos, a China destruirá o que resta da produção em solo americano e acabará com os empregos dos que ainda trabalham no sistema produtivo deles. Para exemplificar vejam o que aconteceu com a Walmart e seus empregados.

Finalmente, festas temáticas de senhoras de meia idade desocupadas e opiniões inconsistentes de parte da imprensa mundial, só são úteis nos sábados vespertinos do outono no Hemisfério Norte.