domingo, 17 de maio de 2020

Roma Antiga





Voltando à Roma Antiga:

Bolsonarum era um capitão da guarda pretoriana. Casou - se algumas vezes com mulheres de origens diversas no Império. Uma era da Macedônia, outra de Cartago (norte da África) sua preferida. Depois, mais tarde, casou com Michellia. Ela era clara e loira. Falava idiomas. Entre eles o árabe e o Libium (língua da Líbia).
Michellia quando soube da antecessora de Cartago, por ciúmes e medo, pintou os cabelos de preto e fez um estilo Channelium.

Channelium foi um grande cabeleleiro romano. Além de criador das Aquas Nasalis, usadas para melhorar o odor das esposas dos soldados.

O corte do cabelo da Ticiana, por exemplo, é inspirado em Channelium.

Foi nesta época, 60 anos A. C. que surgiu a maquiagem. Do Egito vieram os lápis para contornar os olhos e cílios. Além das sobrancelhas. Eram feitos com grafite e carvão.
Osíris foi um grande maquiador. Ísis, sua esposa, era especialista em perucas. Por isto as múmias são carecas. Os cabelos eram retirados antes de embalsamar os sem vida.
Do Marrocos vieram as tintas. Multicoloridas. Surgiram as sombras oculares das mulheres romanas. O azul predominava. Era uma homenagem ao céu. O prata também. Afinal as romanas viviam no mundo da Lua. 
O batom veio da Macedônia. Era uma cera incolor e impermeável.
Foi feito um concurso para definir a cor. A maioria delas optou pelo vermelho, o Rosso.
Vermelho era a cor da guerra, da luta, da conquista. E as mulheres romanas queriam conquistar os romanos.
A moda também passou por transformações. Surgiu Yvium Sanctis Laurrentium, cujo logotipo era YSL, a etiqueta mais cara da época.
Versacium e Dolce Gabanium eram seus auxiliares.
As túnicas longas até os pés, logo foram encurtadas. A minimum saium foi um sucesso.
Foi lançada no verão romano, Junho de 59 A. C. e virou moda imediata.
Foi a primeira vez que as mulheres mostraram as coxas em público.
Então, Victória, em segredo, criou mais uma peça do vestiário feminino. As calcitas.
As calcitas permitiram uma nova postura para a mulher romana. As piscinas logo estavam tomadas por cidadãs vestidas apenas com o Bikinium.
Os mais ousados eram do tipo filis dentalis.
Foi um loucura aquele verão de 59 A. C.
Top Lessium, fiscal dos costumes da cidadania, não aguentou a pressão e liberou geral.
Coppertonium montou uma fábrica de brozeadores.
Um sucesso! Bronzeadas elas passaram a ser as mais cobiçadas do Império.

Contam que muitos senadores perderam a cabeça nesta época. Por várias razões.
O fato é que neste ano Júlio César foi esfaqueado por Brutus nas escadarias do Senado Romano (SPQR).
Cena que seria repetida 2.080 anos depois em Magistratum de Fora - MG.
Foi usada a mesma faca. Uma Tramontinium Inox.

E, o mais surpreendente, foi quando Pôncio Pilatos lavou as mãos e disse solenemente: Vocês ainda repetirão meu gesto daqui a dois milênios quando o Corona surgir.


Escrito por Otavium Pennium.
Membro da Academia Romana de Letras.

domingo, 22 de março de 2020

O bichinho da morte







O bichinho da morte

Marcos Bayer

O ministro de saúde Luiz Henrique Mandetta recomenda à população uma reflexão, neste final de semana, sobre o Corona vírus e suas consequências.
Eu faço a minha e inicio pedindo um exercício de antecipação do futuro sobre a água potável e o mar. Recentemente na cidade do Rio de Janeiro vimos o que pode acontecer com o abastecimento depois de um surto de poluição nas nascentes e na bacia hidrográfica da região. Em Florianópolis, na Lagoa do Peri, fonte de abastecimento parcial para a Ilha, centenas de pessoas banham-se e provavelmente urinam no reservatório natural que deve ter uma determinada capacidade para suportar impurezas. (carrying capacity).
No mar, observamos imagens da quantidade de matéria plástica poluindo os oceanos, além da morte de animais, peixes e aves, que se alimentam destes resíduos. Em algum momento futuro encontraremos situações limites para tais questões.
Dito isto, vamos às pandemias. Ao longo da História ocorreram diversas. De maneira alegórica, até as Dez Pragas do Egito. Na Idade Média, vários surtos epidêmicos, muitos deles relacionados aos excrementos de animais pelas ruas dos burgos e alimentos apodrecidos nas feiras livres, não vendidos e deixados ao relento.
Os rios, grandes ou pequenos, foram transmissores de diversas pestes. Talvez ainda sejam...
A realeza europeia aliada à Igreja detinha grande parte do Capital até a Revolução Francesa. (1789). Ambos eram sustentados pela população de pequenos produtores agrícolas e criadores de animais domesticados. Sabe-se que nem a realeza, nem a Igreja trabalhavam na produção diretamente. Em troca dos tributos coletados nas vilas, cujo valor era estipulado pelo nobre senhor feudal, ofereciam proteção contra possíveis invasores e um lugar nos céus, respectivamente. Além da confissão e do perdão, alívios para a alma.
Importante deixar gravado que sempre foram os pequenos produtores agrícolas e artesãos (sapateiro, padeiro, ourives, ferreiro, construtores de casas e etc) que movimentaram a economia de forma mais rápida e eficiente. Mesmo com o advento da indústria surgida na Grã Bretanha, do tear até a locomotiva (1826), a linha Manchester até o porto de Liverpool para levar têxteis para o mundo, os pequenos produtores e comerciantes são imprescindíveis na cadeia produtiva. Nem as grandes corporações do século 21 são mais eficientes do que esta cadeia de pequenos produtores e comerciantes e sua capilaridade.
Com o fim da monarquia na França e o Iluminismo vigente, o nobre foi substituído pela elite nascente, chamada de burguesia, em razão da organização comercial dos burgos. Adam Smith (1776) propôs o liberalismo econômico confirmado por Hayek e Milton Friedman com seu famoso “não existe almoço grátis”.
Karl Marx (1848) dividiu a produção entre patrões e empregados, propôs a união destes últimos e salientou a necessidade de coletivizar os meios de produção (fábricas e etc).
Com a crise de 1929, o governador de Nova York, Franklin Delano Roosevelt, busca nas ideias de John Maynard Keynes a solução para tirar a América do buraco. O New Deal é a intervenção do Estado no processo econômico.
São destas três fontes que bebe o mundo.
A Europa, depois de duas guerras mundiais, apesar de algumas monarquias (Reino Unido, Espanha, Dinamarca, Noruega, Suécia e os Principados de Mônaco, Luxemburgo, Andorra e outros) soube se adaptar às relações entre capital e trabalho de maneira mais equânime. A Europa sentiu a fome, a miséria, a tortura, o estupro, a dilaceração dos corpos, a doença e desta tragédia surgiram governos mais equilibrados, onde a distancia entre a elite e o povo diminuiu. A social democracia foi responsável por parte disto.
A reconstrução europeia financiada pelo EEUU através do Plano Marshall mostrou que o Estado é a mola propulsora do desenvolvimento. O valor do Plano Marshall, atualizado, é de U$ 100 bilhões de dólares. O Brasil gasta com juros da sua dívida pública R$ 400 bilhões de reais por ano. Mas, junto com o Estado que ampara nas horas de crise, é preciso seriedade nos três pilares do poder. Executivo, Legislativo e Judiciário.
Não por acaso, a Europa é a melhor parte do mundo para se viver.
Educação de qualidade, assistência publica de saúde, segurança, lazer, cultura, arquitetura histórica preservada, gastronomia, bebidas de qualidade, sistemas de transporte público, rodovias, ferrovias e aerovias, navegação de cabotagem e turismo.
Guernica de Picasso que estampa os horrores da Guerra Civil Espanhola está em Madrid. A Colheita de Van Gogh que retrata a fartura está em Amsterdam. Os dois lados da vida...
Existem corrupção politica, negociatas, fraudes e grandes assaltos na Europa. Existe violência doméstica. Sim, existe tudo isto. Mas existe um sistema judiciário que pune a todos.
Pois bem, voltemos ao Brasil e ao bichinho da morte. O Corona vírus não é tão letal quanto foram as duas guerras mundiais. Não é tão feio quanto foram as imagens daquelas guerras. Não será mais trágico do que Nagasaki ou Hiroshima.
O Brasil elegeu um novo presidente em 2018, depois de passar a limpo uma parte da sua História. Diversos membros de partidos políticos saquearam empresas públicas em consórcio com empresas privadas. A operação Lava a Jato mostra isto. A elite saqueou o povo.
Quem é a elite? São os que governam ou governaram, julgam ou julgaram, legislam ou legislaram. Parte desta elite, aliada a setores empresariais, é podre. Diria até que parte da mídia também é podre. Os donos do Capital formam as elites e pagam seus representantes políticos.
O Brasil não sofreu guerras, nem grandes catástrofes ou mortandades. Sofreu ditaduras. Sofreu.
De repente aparece o Corona vírus em escala mundial e chega ao país. Instala-se no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional.
Começa seu ataque pelas elites. Numa rapidez fulminante o governo monta um gabinete de guerra elogiável, cria-se em 48 horas um sistema de votação à distância para aprovação senatorial da situação de calamidade pública e a mídia bombardeia com as medidas dos governadores.
O bichinho da morte pode estar em qualquer lugar, inclusive no centro do poder.
Quando ocorre uma tragédia como em Brumadinho - MG, fazem sobrevoos, batem fotografias e liberam alguma verba pública.
É o que a elite pode fazer. E o povo que fique entregue à sua própria sorte. Até hoje procuram pelos corpos...
O ministro da economia anuncia uma ajuda de R$ 200 reais por mês para os “autônomos” que ficarão sem renda durante a crise.
Ele mesmo admite, são 38 milhões de autônomos mais 11 milhões de desempregados. Temos quase 50 milhões de brasileiros a ver os navios da elite. Isto é um quarto da população.
E são estes autônomos que movimentam a base da economia, como já vimos anteriormente. A indústria não reagirá se não houver compradores. E os compradores surgem com os autônomos.
Mesmo o setor público poderá sofrer revezes salariais. Isto aumenta a dificuldade da recuperação econômica.
Nós perdemos o ano de 2019, inteiro, para aprovar um regime de previdência que tirou de quem já teria pouco para ter menos ainda.
Os juros, amortização, rolagem e despesas financeiras da dívida pública consomem 50,7% do orçamento de 2020. Ou seja, a metade. A elite retirou dinheiro da previdência para poder honrar a dívida pública e a banca. As carreiras de Estado continuam com seus regimes integrais, mas quem paga a previdência deles é o trabalhador autônomo, esse que vai receber R$ 200 reais na crise.
Voltando ao ministro Mandetta, espero que a reflexão seja mais intensa nas elites, pois se não for por compaixão, será por compulsoriedade.
Pois se o sistema quebrar ou quando quebrar, os que mais perdem são os que mais têm. As elites!








terça-feira, 3 de setembro de 2019

AUTO RETRATO




                                                                     AUTO RETRATO

Rola, cola, pinta e borda
Magia, alegria e folia
Papel, tinta e pimba
Acerta no coração
Desdobra a emoção
Pura inquietação
Feliz pequeno cidadão

Micromacro texto do avô escrito com a alma.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

O ATO PATRIOTA





O ATO PATRIOTA

Marcos Bayer

Em 26 de Outubro de 2001, logo após o atentado às Torres Gêmeas em Nova York em 11 de Setembro, recém-havido, o presidente George W. Bush assinou o ATO PATRIOTA assim chamado (PATRIOT ACT) dando poderes absolutos aos serviços de informações norte americanos para que pudessem vasculhar ou prevenir e proteger os cidadãos daquele país, contra possíveis novos atentados. Direitos Constitucionais sagrados, como o direito à privacidade nas comunicações, foram violados em nome da pátria. Foi considerado um escândalo no plano jurídico, porém aceito como arma de proteção coletiva.
Dias Toffoli, Juiz de quarto grau na hierarquia brasileira e ministro do Supremo Tribunal Federal, assina, por vias avessas, seu ATO PATRIOTA ao interromper investigações sobre atos de corrupção que tenham sido registrados no COAF (órgão responsável pelo rastreamento de operações bancárias das contas no Brasil).
Não vou relacionar o despacho monocrático do Juiz ao pedido de seu cliente senador da República e filho do presidente dela. Não quero dar qualquer conotação político-partidária.
Quero falar da (in) segurança jurídica, do retrocesso institucional às operações que pretendiam limpar a nação da bandalha. Do discurso eleitoral vitorioso em 2018 que se insurgia contra a corrupção.
Quero chamar a atenção para o caráter do brasileiro, sobretudo do brasileiro dito mais qualificado.
Quero chamar a atenção para o Brasil que é visto pelos estrangeiros. Um país com taxas de juros altíssimas, com 25 milhões de desempregados, com um sistema previdenciário cada vez mais desigual, pois são os da base que pagam as aposentadorias dos que estão no topo, sistema judiciário falido, pois não tem prazo para julgar (o próprio sistema reconhece sua falência) e mais uma fila de mazelas.
Neste quadro, Dias Toffoli que mandou, recentemente, pelas mãos de outro Juiz, violar o artigo 220 da Constituição Federal, ao tirar de circulação um site de notícias, O Cruzoé, dá mais uma mostra de sua competência e notório saber jurídico. SARAVÁ, SARAVÁ, SARAVÁ !!!

sexta-feira, 28 de junho de 2019

O PODER





O PODER
Marcos Bayer

Roma, o Império, cujo apogeu foi em 117 D.C. com Trajano, construiu mais estradas que a malha rodoviária norte americana na era moderna. Exército forte composto de várias legiões, Senado forte como formulador das leis e poder político (SPQR) e sistema Judiciário eficaz. A figura do advogado público aparece aí. Era recrutado entre os presentes ao julgamento, alguém que se sentisse preparado para defender o acusado desvalido. Exército – Senado – Justiça. O triunvirato do poder.
Londres, capital do Reino Unido, repete a proeza. O Império de sol a sol. Uma esquadra naval poderosa, um parlamento forte e um sistema judiciário eficiente. Os britânicos aperfeiçoam a democracia grega com o instituto do impeachment em 1376 para punir os poderosos infratores de seu sistema político. My vote and my taxes. Meu voto e meus tributos. O cidadão, ao longo da História, adquire a exata noção do valor do voto e do pagamento dos impostos. Aprendem a escolher seus representantes e a fiscalizar a aplicação de seus dinheiros. Robin Wood e o Rei Arthur de Camelot, lendas ou não, são elementos constitutivos da cidadania britânica por causa destes dois conceitos: Meu voto e meu imposto.
Washington D.C. na América do Norte repete a fórmula. Após a Segunda Grande Guerra (1945), os americanos constroem suas forças armadas poderosíssimas – exército, marinha e aeronáutica – um Congresso bicameral atuante e fiscalizador e um sistema judiciário rápido, eficiente e implacável. Eles aperfeiçoam a democracia direta grega, criando os colégios eleitorais estaduais, filtros primários das candidaturas presidenciais, mantém o instituto do impeachment e criam o “recall”.
Sempre a trilogia: Exército (Forças Armadas) – Senado – Sistema Judiciário. Dentro de um sistema democrático pleno.
No Brasil estamos aprendendo a votar. As eleições presidenciais de Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Fernando Collor, FHC, Lula e Bolsonaro são movimentos políticos radicais da população buscando saídas para as crises de sempre.
Temos outros dois movimentos na esfera do Senado que devem ser registrados: Nereu Ramos, seu presidente, quando garantiu a posse de JK em 1956 e a eleição dos 16 senadores do MDB em 1974, um aviso aos militares no poder de que as eleições diretas estavam a caminho, como de fato, dez anos depois, em 1984, os brasileiros foram às ruas lutar por elas.
Teotônio Vilela, Marcos Freire, Jaison Barreto, Paulo Brossard, Mário Covas, Franco Montoro entre outros foram fundamentais na redemocratização do país.
Hoje, na estabilidade democrática, o Senado Federal deve à nação muito trabalho. Deve o estabelecimento de prazos para julgar, deve diretrizes para as taxas de juros, deve a fixação de limites ao gerenciamento da divida pública, deve definições mais claras na política externa.
Por enquanto, neste semestre, o Senado conseguiu aprovar matéria relativa à apreciação das Medidas Provisórias, através da PEC 91/2019, onde obtém pelo menos 30 dias para discuti-las e deliberá-las. E comemorou efusivamente em plenário.
Rui Barbosa, observador atento, ainda que sob a forma de estátua, deve estar apreensivo...
Sobre o exército, falamos noutro dia.