terça-feira, 31 de março de 2015
segunda-feira, 16 de março de 2015
sábado, 7 de março de 2015
Não cabem todos na mesma barca...
Não cabem todos na mesma barca...
Marcos Bayer
Os jornais de Santa Catarina dão
conta de um governo estadual sem oposição. É assim mesmo. Quando a inteligência
se omite, quando o brilho fica opaco, quando a voz se cala... Os medíocres se
juntam.
Estamos assistindo a um fenômeno raro
na história política catarinense: A união da Arena Jovem com o PC do B,
envolvendo PMDB, PSD (PFL, DEM), PP, PSDB e possivelmente o PSB. Todos na mesma
barca. Um acinte ao eleitor. Eleitos e refugados, juntos, abrigam-se nas
marquises do poder e bem remunerados riem da população que votou pensando em
oposição, fiscalização, eficiência e decência. Fazem negócios de diferentes
montas. Publicidade enganosa, consultorias inúteis, obras de engenharia
capengas, licitações marcadas.
Há muito tempo que Santa Catarina não
tem uma voz consistente de oposição nos cenários nacional e estadual. Jaison
Barreto deve ter sido o último. Por isto, talvez, tenhamos que viver das
migalhas da República tão choradas pelos nossos falsos profetas-representantes.
O preço que a sociedade catarinense
pagará por este consórcio de vários lances, muitos fraudulentos, será
quantificado nas próximas gerações.
Além da baixa densidade moral que
permeia a administração pública, a inutilidade de algumas ações empobrecerá a
prática política necessária aos homens.
O Estado virou uma fonte de negócios.
Algum “brazilianista” logo cunhará a expressão “statebusiness” para diferenciar
de “privatebusiness”.
Como citei um político para ilustrar
um comportamento de oposição à corrupção e à ditadura, devo citar outro para
dar feição ao momento que estamos vivendo na política local. Vem à lembrança o
nome do vereador Içuriti Pereira, do velho MDB, que saiu da posição de
telefonista de hotel, passou pelo legislativo municipal, virou membro do clube
dos gourmets e terminou como diretor de rede de emissora de televisão. Ainda
bem que Içuriti é nome indígena. Porque Pereira é nome de novo rico
português...
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Dos valores das coisas em geral...
Dos valores
das coisas em geral...
Marcos Bayer
Cada dia mais distantes das regras econômicas
clássicas, onde para Adam Smith as coisas tinham dois valores: “A
água é útil, portanto, tem valor de uso, no entanto, não tem valor de troca. Já
o diamante, não tem valor de uso, mas com ele se pode obter muitas outras
coisas em troca”, vemos lentamente a modificação de certas afirmações.
(1776).
A água, bem essencial à vida, adquire a cada dia mais
valor de troca em razão da escassez, da negligência dos homens e do aumento
populacional.
Claro que encontraremos soluções para as crises de
abastecimento. Seja pela reutilização, pela dessalinização ou por outros
processos químicos ainda não inventados.
A água já é uma commodity e pode vir a ser um bem com
alto valor de troca.
Por outro lado, mais uma vez, o mercado determinará
preço em razão da escassez ou da dificuldade de obtenção do precioso líquido.
Este introito é apenas para dizer que a água já faz
parte do rol das coisas com valor de mercado e que seu preço estará sujeito às
leis clássicas da economia liberal. No Kwait, por exemplo, a água potável vale
mais do que a gasolina.
O avanço do capitalismo sem oponentes, pelo menos
desde a queda do muro de Berlin em 1989, tem na escassez uma fonte de lucro.
Aliás, é a escassez que determina o valor das coisas no sistema capitalista. O
risco “protegido” também...
A social democracia escandinava, a melhor forma de
organização política até agora experimentada pelos homens, poderia ser modelo
para o planeta. Mas, não é...
Assim, na busca incessante do lucro, a qualquer preço,
vemos a falência política de alguns países, entre eles o Brasil, onde nem os
princípios básicos de proteção à cidadania são respeitados.
Nossos partidos políticos não conseguem manter uma
conduta paralela entre a doutrina e a prática. Ambas são cruzadas ao longo do
caminho.
Conseguimos construir uma capitalismo de favores (vide
Eike Batista), de falsos talentos financiados por verbas públicas (vide as
agências de publicidade e empresas de consultoria), de favores estatais, de
castas funcionais bem remuneradas.
A tal da isonomia do serviço público tão discutida e
debatida pela nação no processo constituinte (1987/88) deu espaço para
carreiras de estado como juízes, promotores, diplomatas, fiscais de tributos,
delegados e procuradores com remuneração absurdamente maior do que a de
professores, médicos, dentistas, bombeiros e outras atividades públicas.
No setor privado, a corrupção na Petrobrás, mostra
como estamos bem na prática de crimes financeiros. A nova CPI instalada na
Câmara dos Deputados, entre seus 27 membros, tem dez deles financiados pelas
empreiteiras envolvidas. Logo...
A argentocracia ou moneycracia, como queiram, controla
o Brasil.
Cada dia mais...
Ou o cidadão se corrompe ou sofre o peso da
honestidade.
Conseguimos, com muito talento e brasilidade,
construir um novo modelo político: a
cleptocracia tropical.
domingo, 23 de novembro de 2014
Os miúdos, os graúdos e a República...
Os miúdos,
os graúdos e a República...
Marcos
Bayer
A semana foi farta em surpresas. O elogiável trabalho
da Polícia Federal na Operação Lava a Jato prendeu os graúdos do país. Aqui na
Ilha, não menos elogiável, prendeu os miúdos na Operação Ave de Rapina.
Cabe, então, uma sugestão a estas duas instituições:
Polícia Federal e Ministério Público bem que podiam organizar uma força-tarefa
(PF-MP) e fazer uma limpeza na Administração Pública brasileira. Uma tarefa
permanente.
Quando os meninos brincam de polícia e ladrão e na
brincadeira existem helicópteros imaginários, geralmente os chamam de Águia 1 e
Águia 2. Uma maneira “secreta” de fazer referência aos dois aparelhos voadores.
Alguns trechos das gravações da PF sobre os “pardais”
e a corrupção decorrente das suas contratações são assim: ingênuos como nas
brincadeiras dos meninos. “Olha, traz no elástico e no envelope a parte do
chefe”.
O que seria? Um lanche, uma tartaruga ou dinheiro?
Os dois elementos da Guarda Municipal presos com R$
100 mil reais na volta de Porto Alegre, junto com o Termo Aditivo que favorecia
a empresa responsável pela instalação dos controles de velocidade em
Florianópolis eram emissários de quem?
Do além? Da FIFA? Da Ordem dos Templários?
O ex-presidente da Câmara de Vereadores (César Luiz
Belloni Faria) é nascido em 1966. O prefeito César Souza Jr. Em 1979. Ambos
amadureceram sob a égide da Constituição de 1988. Ambos têm noções de Direito,
Administração e Cidadania.
Não se pode permitir que esta geração formada sob uma
ordem jurídica democrática, num Estado de Direito, deixe passar alguns atos de
corrupção como os da operação mencionada.
O vereador procurador da Assembleia Legislativa de
Santa Catarina, além de embolsar R$ 25 mil mensais, tem o dever do exemplo
funcional. Como representante popular, cujo mandato lhe rende mais R$ 13 mil,
tem a obrigação de tratar dos assuntos da cidade com absoluta lisura.
Não sabemos o resultado final das investigações. Não
sabemos se o Ministério Público fará a DENÚNCIA,
se o Magistrado vai recebê-la e como vai julgá-la.
Não sabemos também, ainda, como reagirão os outros
vereadores da CMF.
No entanto, o prefeito, o ex-presidente da Câmara de
Vereadores, alguns diretores de órgãos municipais e vereadores devem muitas
explicações aos cidadãos de Florianópolis. Além das explicações, rescisões
contratuais, mudanças na gestão, requalificação de pessoal, mais ética e
eficiência. A cidade não suporta mais "estórias para boi dormir".
O recém-inaugurado sistema de transporte municipal é
um exemplo do engodo. Pintaram os ônibus de azul e branco, alteraram alguns
horários e escreveram na lataria: sistema
integrado de mobilidade. Como se mobilidade urbana fosse fantasia de
carnaval.
O prefeito também não precisa divulgar nota afirmando
que foi à PF prestar esclarecimentos, espontaneamente. Ele foi intimado pelo
delegado federal e numa democracia isto não deve ser objeto de vergonha ou
medo. É rotina pública.
Também não precisa promover reunião urgente dentro de
automóvel. Assuntos políticos e públicos devem ser tratados em gabinete de
trabalho.
O trabalho, elogiável, da PF na Operação Ave de Rapina
é um presente de Natal para a cidade. É educativo e merece o apoio de todos os
cidadãos de uma República.
Gente do tipo investigado, depois de comprovada a culpa,
deve ser banida da vida pública, antes que possam vir a ser deputado, senador,
governador ou até presidente. São nocivos aos interesses da República. Devem
procurar dinheiro em atividades próprias da economia de mercado. Não na
política.
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