quinta-feira, 14 de março de 2019

O ponto de ruptura







O ponto de ruptura
Marcos Bayer

Apenas uma contribuição ao debate sobre as duas dicotomias vividas recentemente. Primeiro a discussão PT x PSDB para saber quem havia sido mais corrupto, mais competente no governo e quem havia roubado mais.
Aí apareceram na cena o PMDB e o PP. As malas de dinheiro no apartamento em Salvador, a maleta de R$ 500 mil reais na pizzaria em São Paulo, as docas de Santos etc. e tal. Se o Juiz Moro era neutro ou favorecia alguém. Agora com a prisão de Paulo Preto/DERSA, deveremos conhecer os números do PSDB. E as confissões de Sergio Cabral mostrarão mais detalhes, atingindo talvez, a Igreja católica.
Depois veio a discussão Lula x Bolsonaro, PT x PSL, esquerda x direita e a peregrinação à Curitiba, para visitar a sede da Polícia Federal.
Abriu-se a campanha presidencial de 2018, com Haddad, Alckmin, Ciro, Meirelles, Marina, Boulos e Bolsonaro. A diferença do primeiro para o segundo lugar foi de aproximadamente 10%. Sendo 55,13% para Bolsonaro e 44,87% para Haddad.
Em Santa Catarina a diferença foi maior. Acachapante. Moisés do PSL derrotou Merísio do PSD/PP por 71,09% a 28,91% dos votos.
O PSD perdeu. Já não se pode dizer o mesmo do PP que elegeu o senador que estava na chapa. Mas foram enterrados nomes do PMDB, PSDB, PT, PP e PDT. Alguns para sempre.
Houve uma ruptura no processo político. As pessoas acordaram. Deram um basta a todas as formas de “roubo” e ou enganação. A cibernética ajudou e muito. A classe política perdeu o respeito pelo que fez ou deixou de fazer de uns tempos para cá... Talvez de Sarney (1986) para cá. Exceto com Itamar Franco que passou incólume.
Em ambos os casos, os vitoriosos carregavam uma mensagem de renovação, combate à corrupção e da “nova” política.
Bolsonaro tinha um economista, Paulo Guedes, que servia de bússola para o futuro governo. Moisés não tinha nenhuma referência. Era um coronel reformado da PM e assessor de um vereador em Tubarão, Lucas Esmeraldino, também desconhecido no meio político.
Venceram e agora começam a trabalhar. Bolsonaro inicia com a reforma previdenciária. O ministro Sérgio Moro parece que não conseguirá fazer prevalecer suas propostas de segurança, já “fatiadas”, por pressão dos parlamentares. O governo perdeu a votação com a lei do sigilo. Foi sua primeira derrota. O Queiroz não apareceu e o senador Flávio Bolsonaro está quieto. Mas, segue o barco, como diz o general Hamilton Mourão.
Aqui em Santa Catarina, o governador corta o cafezinho, transfere R$ 100 milhões em crédito suplementar para a Secretaria de Infraestrutura, sendo que R$ 31 milhões serão gastos na recuperação das duas pontes de concreto. Moisés alerta que poderá atrasar o pagamento da folha num futuro próximo. E descobre a compra da espada de R$ 14 mil reais. Vai tentar cancelar a licitação.
Estes dois governos, Bolsonaro e Moisés, só criarão identidade positiva com realizações. O PSL não é uma escola, nem tem união. Dificilmente farão seus sucessores, pois não sabem fazer política.
Para salvarem suas administrações, terão que ser absolutamente honestos e parecerem honestos. O que não é mais do que obrigação na vida pública. O ponto de ruptura já aconteceu e foi muito bom para Santa Catarina e para o Brasil. Militares são acostumados a cumprir ordens. De um lado é bom porque são obedientes aos princípios da verdade e da honestidade. Mas, só isto não será suficiente para elegerem seus sucessores. E quem está acostumado a obedecer, quase não cria. Assim como também não tem muita iniciativa.

Nenhum comentário: