quinta-feira, 19 de abril de 2012

Universo






Universo

Marcos Bayer

Olhem para o céu estrelado, sem luz ao redor, aqui da Terra. Lá está o firmamento e nele inúmeras e incontáveis estrelas que compõem o Universo. Explicações sobre o nascimento do nosso planeta existem para satisfazer todas as necessidades. Desde a grande explosão até a criação divina. Caminhando pela lógica e pelas informações disponíveis, este planeta criou condições para a existência de vida. Mineral, vegetal e animal. Antes do homo sapiens, não sabemos quando, houve um momento em que não havia linguagem. Eram olhares, gritos e urros, gestos e carícias. Provavelmente.

Com o surgimento da fala, aumenta a comunicação. Explicações, perguntas, teses e conceitos. As religiões surgem e são modeladas. Com elas as diversas teorias para a origem de tudo. Logo, já ocupava a mente humana o que viria, com o tempo, a ser explicitado nas sagradas escrituras de todas as origens. A palavra escrita é a gênese dos códigos.

Criamos nossos mitos, semideuses e um Deus – Theos – Zeus e tantas outras formas de expressão linguística. Ele criou tudo.

Na impossibilidade de compreender o Universo, houve a necessidade de criar a hipótese de um criador. O homem sabia que não era sua obra.

Ao criador tudo foi atribuído. E com a passagem do tempo, usando a curiosidade e inteligência, fomos explicando fenômenos, compreendendo regras, expressando sentimentos e caminhando em direção àquilo que chamamos de evolução.

Além da memória genética de cada ser humano, a medicina admite a hipótese da memória psicoemocional. Portanto, se verdadeiro, todos nós estivemos em vários lugares de um passado remoto. Nós somos a vida eterna e nossos descendentes a certeza da perenidade.

As ciências e as artes, dois ramos da mesma árvore, são a expressão da capacidade humana no tempo. Da fogueira às micro-ondas. Das inscrições rupestres às telas de Dali, por exemplo, que tanto brinca com a ideia de Chronos, aquele que cronometra. Kairós, seu filho, o que procura a conexão com o Universo para tentar compreender sua existência. A oportunidade da vida.

Estes dois deuses, Chronos e Kairós, são prova incontestável da necessidade humana de estabelecer um tempo para fazer e outro para sentir. Grande engano da chamada Revolução Industrial quando conseguiu seccionar o ser humano. Para o homem medieval fazer e sentir eram indissociáveis. Como o pensamento é indivisível. Como indivisível é o homem. Eros ou Tanatos. Vida ou Morte.

Também podemos admitir que a máxima “Tu és pó e ao pó voltarás”, mesmo sendo parte do cristianismo, é absolutamente ecológica e autossustentável. Antes dos crematórios no Ocidente, a prática já ocorria em pontos do Oriente. E nossa decomposição carnal nos remete de volta a terra, ao chão, ao solo.

Gaia, a Terra, é um organismo vivo. Sofre cortes, impactos e maus tratos. Mas, recupera-se. Modifica-se e altera-se.

A única conexão possível do homem com outras dimensões é o mergulho no Universo. Não sabemos como.

Mas, a mesma inteligência que organiza o contexto universal é a que organiza a mente individual. Uma é fragmento da outra. O mundo externo é tão vasto quanto o mundo interno. Num exemplo rudimentar, a influência da Lua nas marés. Aqui e lá. Fora e dentro.

Esta conexão nós perseguimos ao longo da evolução. Ela, a conexão, aparece nas artes e nas ciências. A mais significativa para nós ocidentais é o toque divino de Michelangelo na Capela Sistina.

Tudo o que já sabemos, o chamado conhecimento humano acumulado, agora disponível na www (world wide web), reflete a ligação entre os dois universos: interno e externo. O da mente e o do cosmos.

É possível que eles se revelem simultaneamente. Para dentro e para fora.

Então, nós compreenderíamos que há um único verso. Uni verso.

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