quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

... e andando




... e andando
Marcos Bayer

O Direito ensina várias coisas, entre elas, que o fato social acontece e depois a legislação o regula. Outra conclusão do Direito é que o criminoso pode estar em qualquer classe social, intelectual e ou moral. Assim, a pedofilia está na Santa Igreja, exímios ladrões subtraem verbas públicas e pobres coitados são presos por furto qualificado. Na comercialização de armas clandestinas e drogas ilícitas, aqui e no mundo, existem conjuntos de teias de interesses e proteções que envolvem gente de todos os naipes.
Estamos atravessando mais um verão em Santa Catarina e duas peculiaridades chamam nossa atenção. A poluição das praias e o estouro das bombas.
Em relação à poluição dos balneários, a maioria parece cagar e andar. Aliás, cagando e andando é uma expressão popular, provavelmente carioca, para indicar o desleixo em relação à determinada coisa ou fato. Na Ilha, apenas o Santinho, Moçambique, Barra, Galheta, Mole, Gravatá, Joaquina e Campeche, ao leste, estão limpas. Ao sul, o Pântano, Açores e Solidão.
O sistema de esgoto que está sendo implantado no Campeche, se lançado no mar, como projetado, pode vir a ser um problema e não uma solução.
A Lagoa da Conceição, redenominada Lagay, sem preconceito ou sarcasmo, geme agoniada entre a falta de oxigênio na parte menor e a falta da rede de esgoto em sua totalidade. A existente é sucata cloacal.
A Prefeitura Municipal de Florianópolis deve anunciar uma dívida de R$ 200 milhões.
O prefeito alugou 20 ou 40 automóveis populares, brancos, para escoltar os ônibus.
O governador poderia ter oferecido parte dos carros do executivo, assim como o legislativo e o judiciário. Também o TCE, poderia oferecer alguns carros e com a doação da verba de moradia dos seus sete membros, montar uma escolinha para pobres, futuros conselheiros ou trombadinhas.
E assim vamos, cagando e andando, e seguindo a canção...
Sobre as bombas e os presos, duas palavras. Eles evitam machucar a população civil. Mandam descer dos ônibus. Pelas leituras dos jornais, sabe-se que há promessas não cumpridas pelo Estado, violência e maus tratos. Há problemas salariais, também.
O que vai pela mente de um preso quando ele descobre que uma empresa de planejamento e consultoria do sul, recebe verbas públicas, transfere para um time de futebol e paga a folha dos salários? Ele grita gol ou pensa na sua pena?


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