domingo, 1 de fevereiro de 2009

Das coisas do amor...




O que, afinal, significa o tema? Um sentimento, uma forma de ver o mundo, uma maneira de conviver com o outro, uma relação conjugal ou uma mistura de possibilidades existenciais?
Sobre eles, os amores, vários escreveram e o fazem todos os dias...
Está em Coríntios, na Bíblia, no versículo 13: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor. Destes três, o maior é o amor”. Está, ainda, nos versos do poeta português:
“Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, como as outras, ridículas. As cartas de amor - se há amor, têm de ser, ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia, sem dar por isso, cartas de amor, ridículas. Afinal, só as criaturas que nunca escreveram, cartas de amor, é que são, ridículas”.
Está nos versos das músicas, no canto das óperas, nos bilhetes escondidos, nos sermões dos padres, nos cultos ecumênicos, nos telefonemas apressados e ou demorados, nos “torpedos” das mensagens dos celulares, nas letras desenhadas com batom vermelho nos espelhos dos banheiros de hotéis, nas janelas empoeiradas dos automóveis, nos chãos cobertos pela neve, gravado nas pedras e árvores do planeta, nas alianças de ouro, nos corações apertados, nas celas agonizantes, nos leitos dos hospitais, nos olhos do menino, no sorriso da menina, nos corpos nus e no beijo da mulher amada... Está em vários lugares, tempos e momentos...
É tormento, é alegria, é movimento. Vai da agonia ao êxtase em velozes batimentos.
Em nome dele declaramos a guerra e promovemos a paz num simples gesto de discernimento.
Quando instalado em nossa mente, ocupa todos os espaços e pensamentos. Vai de um extremo ao outro como na mudança dos ventos.
É repleto de armadilhas, traições e sofrimento. Purga e alimenta como fermento. Na História humana é o maior protagonista dos acontecimentos...
Reis, rainhas, príncipes e mendigos sentiram seus efeitos virulentos.
Combina com chocolate, flores e acolhimento. Pode ser experimentado na areia fofa da praia ou no sofá do apartamento.
Sob a água, sobre a relva do campo ou acima das nuvens na cabine do avião em movimento.
É o sentimento mais comum ao ser humano, mais difícil de ser compartilhado, mais contagiante e mais complexo para encontrar o coadjuvante.
Pode começar num olhar, num encontro vulgar, numa conversa particular ou numa necessidade de editar...
Provoca reações, fortes emoções e promessas de recomposições.
Tira o sono e tira a fome até a hora em que não pode mais se retirar...
Altera relações, desfaz uniões e constrói outras coesões.
Interminável, sofre modificações, renovações e segue impávido abrindo novas portas e porões. Tão ou mais forte que um furacão, tem efeitos de destruição e, simultaneamente, de reorganização.
É a força motriz da aventura humana, que vai do lado animal ao sublime encontro fatal.
Impossível compreender o mundo sem analisá-lo sob a ótica do amor.
Corpos suados, bocas molhadas, corações palpitantes, explosões contínuas e assimétricas conformam sua materialização carnal.
É capaz de rejuvenescer e prolongar a vida. Reorienta, realinha e realimenta. Algumas pessoas sofrem por nunca terem encontrado o amor. Outras porque não souberam senti-lo.
William Shakespeare, mestre na compreensão do fenômeno humano, escreveu: “Amantes e loucos têm cérebros tão fervilhantes, tão cheios de fantasias, que superam tudo o que a fria razão pode entender”.
O amor fascina, alucina e produz adrenalina. É sentimento irracional, ilógico e inexplicável. Talvez, por isto, tão deliciosamente desejado e invejado. Chega do nada e traz tudo. É auto-suficiente e benevolente.
Para os que o censuram, o combatem ou o perseguem, por incapacidade ou incompreensão, ficam as palavras de outro inglês, William Congreve: “Se não é amor, é loucura. Logo, é perdoável”.
Mas, melhor do que tentar descrevê-lo é simplesmente experimentá-lo... Sabores e cores que formam um novo halo em cada individual firmamento.


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