domingo, 7 de junho de 2020
cangablog: Feudalismo Moderno
cangablog: Feudalismo Moderno: por Marcos Bayer Quem assistiu a íntegra da gravação relativa à reunião ministerial de 22 de Abril passado, perceberá pelo meno...
domingo, 17 de maio de 2020
Alistamento militar
Alistamento
Corria o ano de 1977 e chegava o mês do alistamento
militar. O local de apresentação era o 63º BI – Batalhão de Infantaria, no
Estreito, ao lado do Cine Jalisco. De Tijucas veio um grupo de seis rapazes,
entre eles o Neguinho, carinhosamente assim chamado pela cor de sua pele e por
sua cativante personalidade. Naquele tempo não havia o politicamente correto.
Neguinho não queria servir o Exército, nem sair de Tijucas por um ano inteiro.
Tal hipótese doía-lhe na alma. Chorava dentro do ônibus na viagem para a
Capital. Um de seus amigos, comovido com a situação, pegou o óculos escuro e
emprestou ao amigo. Lentes pretas, armação preta – no melhor estilo Ray
Charles. E disse: Neguinho, entra no quartel com os óculos, põe as mãos para
frente e faz de conta que és cego.
Às 11.00 horas começou a inspeção. Todos nus, em
formação e só o Neguinho de óculos. O sargento perguntou-lhe: Por que os
óculos? Porque eu sou cego, senhor sargento. Quer que eu os tire? Não, não...
Está dispensado.
Feliz da vida saiu do quartel e para esperar os amigos
sabia que tinha que fazer uma horinha. Naquela época, o Cine Jalisco, já em
decadência, apresentava filmes pornográficos na sessão vespertina.
Sentou-se e mesmo com os óculos começou a apreciar o
enredo. Lá pelas 14.00 horas, acabou a inspeção e o sargento, também para fazer
uma horinha, foi ao cinema. Sentou-se justo ao lado do Neguinho. Quando
percebeu, foi na orelha dele e perguntou: Tu não és o cego que eu dispensei
pela manhã? Sou sim senhor, respondeu prontamente.
E o que tu fazes aqui no cinema? Cinema? Perguntou o
Neguinho. Eu pensei que já estava no ônibus das cinco voltando para Tijucas...
A Fuga do Egito
A Fuga do
Egito
(Uma revisão
histórica)
Nabucodonosor
IV *
A Fuga do Egito foi um dos eventos mais concorridos
daquela época. Liderada por Moises, o profeta, dois dias após receber os 10
Mandamentos em duas tábuas de cedro do Líbano, madeira muito leve e de fácil
portabilidade. Ao sair das areias egípcias, Moises teve que abrir e atravessar
o Mar Vermelho (primeiro mar comunista da História) e conduzir seu povo para a
Terra Prometida, Canaã. Onde está a Palestina.
Na travessia, um dos andarilhos teria coletado um
pequeno vírus no fundo daquele mar. Corona, deram-lhe o nome. Embora haja a
teoria de um cientista romano famoso, Rubens Sergium, afirmando que o
vírus estava no fundo do Mar Morto. Só os chineses saberão ao certo.
O fato é que ao chegarem do outro lado, Moises e seu
povo, continuaram a viagem para Jerusalém. Porém, o último dos andarilhos, um
judeu de nome Jacob, ficou na margem do mar, em cima de uma pedra, observando
as águas voltarem à normalidade. E depois de três dias e três noites de reflexão,
concluiu que um serviço de balsa seria fundamental dali em diante. Surgiu
então, a EL BALSA TRAVESSIA S/A. Jacob entendeu que deveria cobrar na ida e na
vinda cinco moedas por cada mão. Quando era no sentido do Egito, chamava de
embalsa. Na volta, balsa. Como embarca e barca. E assim, pela movimentação
náutica formulou o verbo EMBALSAMAR, pois a balsa flutuava sobre o Mar
Vermelho.
Os egípcios logo se apropriaram do verbo e passaram a
utilizá-lo com seus entes queridos já sem vida. Os descendentes de Jacob, até
hoje, recebem royalties pelo método fúnebre.
Alguns anos depois surgiu o EL BALSA BANK S/A, grande
agencia de fomento comercial naquela região. O sucesso do empreendimento foi
tamanho, que durante o século 20, criaram a EL AL AIRLINES S/A. Seu primeiro
presidente foi Ben Gurion. (Foto).
Voltando à Moises, ao Mar Vermelho e à História, há
uma tese na Universidade de Tel Aviv de que os bombeiros sempre foram
comunistas. No mundo inteiro. Não por acaso usam aqueles caminhões – pipa
vermelhos e passam disfarçadamente pela população.
No Congresso Mundial do Partido Comunista em Pequim,
em 2002, decidiram aposentar a bandeira vermelha com a foice e o martelo. A
nova bandeira, ainda vermelha, tem agora a moto-serra e a betoneira.
Finalmente, estudos mostram que por causa daquela
travessia no Mar Vermelho, estabeleceu-se o confronto entre comunistas e
capitalistas.
Tivesse o mar outro nome, como por exemplo, Egeu ou
Cáspio, tudo se resolveria com shampoo da L’Oreal de Paris.
*Nabucodonosor
IV é sobrinho neto do Grande Nabucodonosor, Rei do Egito.
Estudou Ciência
Política em Nínive na Babilônia.
Morava num dos Jardins Suspensos durante o
curso acadêmico e cultivava papoulas na varanda de seu apartamento.
Roma Antiga
Voltando à Roma Antiga:
Bolsonarum era um capitão da guarda pretoriana. Casou - se algumas vezes com mulheres de origens diversas no Império. Uma era da Macedônia, outra de Cartago (norte da África) sua preferida. Depois, mais tarde, casou com Michellia. Ela era clara e loira. Falava idiomas. Entre eles o árabe e o Libium (língua da Líbia).
Michellia quando soube da antecessora de Cartago, por ciúmes e medo, pintou os cabelos de preto e fez um estilo Channelium.
Channelium foi um grande cabeleleiro romano. Além de criador das Aquas Nasalis, usadas para melhorar o odor das esposas dos soldados.
O corte do cabelo da Ticiana, por exemplo, é inspirado em Channelium.
Foi nesta época, 60 anos A. C. que surgiu a maquiagem. Do Egito vieram os lápis para contornar os olhos e cílios. Além das sobrancelhas. Eram feitos com grafite e carvão.
Osíris foi um grande maquiador. Ísis, sua esposa, era especialista em perucas. Por isto as múmias são carecas. Os cabelos eram retirados antes de embalsamar os sem vida.
Do Marrocos vieram as tintas. Multicoloridas. Surgiram as sombras oculares das mulheres romanas. O azul predominava. Era uma homenagem ao céu. O prata também. Afinal as romanas viviam no mundo da Lua.
O batom veio da Macedônia. Era uma cera incolor e impermeável.
Foi feito um concurso para definir a cor. A maioria delas optou pelo vermelho, o Rosso.
Vermelho era a cor da guerra, da luta, da conquista. E as mulheres romanas queriam conquistar os romanos.
A moda também passou por transformações. Surgiu Yvium Sanctis Laurrentium, cujo logotipo era YSL, a etiqueta mais cara da época.
Versacium e Dolce Gabanium eram seus auxiliares.
As túnicas longas até os pés, logo foram encurtadas. A minimum saium foi um sucesso.
Foi lançada no verão romano, Junho de 59 A. C. e virou moda imediata.
Foi a primeira vez que as mulheres mostraram as coxas em público.
Então, Victória, em segredo, criou mais uma peça do vestiário feminino. As calcitas.
As calcitas permitiram uma nova postura para a mulher romana. As piscinas logo estavam tomadas por cidadãs vestidas apenas com o Bikinium.
Os mais ousados eram do tipo filis dentalis.
Foi um loucura aquele verão de 59 A. C.
Top Lessium, fiscal dos costumes da cidadania, não aguentou a pressão e liberou geral.
Coppertonium montou uma fábrica de brozeadores.
Um sucesso! Bronzeadas elas passaram a ser as mais cobiçadas do Império.
Contam que muitos senadores perderam a cabeça nesta época. Por várias razões.
O fato é que neste ano Júlio César foi esfaqueado por Brutus nas escadarias do Senado Romano (SPQR).
Cena que seria repetida 2.080 anos depois em Magistratum de Fora - MG.
Foi usada a mesma faca. Uma Tramontinium Inox.
E, o mais surpreendente, foi quando Pôncio Pilatos lavou as mãos e disse solenemente: Vocês ainda repetirão meu gesto daqui a dois milênios quando o Corona surgir.
Escrito por Otavium Pennium.
Membro da Academia Romana de Letras.
domingo, 22 de março de 2020
O bichinho da morte
O bichinho da morte
Marcos Bayer
O ministro de saúde
Luiz Henrique Mandetta recomenda à população uma reflexão, neste final de
semana, sobre o Corona vírus e suas consequências.
Eu faço a minha e
inicio pedindo um exercício de antecipação do futuro sobre a água potável e o
mar. Recentemente na cidade do Rio de Janeiro vimos o que pode acontecer com o
abastecimento depois de um surto de poluição nas nascentes e na bacia hidrográfica
da região. Em Florianópolis, na Lagoa do Peri, fonte de abastecimento parcial
para a Ilha, centenas de pessoas banham-se e provavelmente urinam no
reservatório natural que deve ter uma determinada capacidade para suportar
impurezas. (carrying capacity).
No mar, observamos
imagens da quantidade de matéria plástica poluindo os oceanos, além da morte de
animais, peixes e aves, que se alimentam destes resíduos. Em algum momento
futuro encontraremos situações limites para tais questões.
Dito isto, vamos às
pandemias. Ao longo da História ocorreram diversas. De maneira alegórica, até
as Dez Pragas do Egito. Na Idade Média, vários surtos epidêmicos, muitos deles
relacionados aos excrementos de animais pelas ruas dos burgos e alimentos
apodrecidos nas feiras livres, não vendidos e deixados ao relento.
Os rios, grandes ou
pequenos, foram transmissores de diversas pestes. Talvez ainda sejam...
A realeza europeia
aliada à Igreja detinha grande parte do Capital até a Revolução Francesa.
(1789). Ambos eram sustentados pela população de pequenos produtores agrícolas
e criadores de animais domesticados. Sabe-se que nem a realeza, nem a Igreja
trabalhavam na produção diretamente. Em troca dos tributos coletados nas vilas,
cujo valor era estipulado pelo nobre senhor feudal, ofereciam proteção contra
possíveis invasores e um lugar nos céus, respectivamente. Além da confissão e
do perdão, alívios para a alma.
Importante deixar
gravado que sempre foram os pequenos produtores agrícolas e artesãos
(sapateiro, padeiro, ourives, ferreiro, construtores de casas e etc) que
movimentaram a economia de forma mais rápida e eficiente. Mesmo com o advento
da indústria surgida na Grã Bretanha, do tear até a locomotiva (1826), a linha
Manchester até o porto de Liverpool para levar têxteis para o mundo, os
pequenos produtores e comerciantes são imprescindíveis na cadeia produtiva. Nem
as grandes corporações do século 21 são mais eficientes do que esta cadeia de
pequenos produtores e comerciantes e sua capilaridade.
Com o fim da
monarquia na França e o Iluminismo vigente, o nobre foi substituído pela elite
nascente, chamada de burguesia, em razão da organização comercial dos burgos.
Adam Smith (1776) propôs o
liberalismo econômico confirmado por Hayek e Milton Friedman com seu famoso
“não existe almoço grátis”.
Karl Marx (1848) dividiu a produção entre patrões
e empregados, propôs a união destes últimos e salientou a necessidade de
coletivizar os meios de produção (fábricas e etc).
Com a crise de 1929, o governador de Nova York,
Franklin Delano Roosevelt, busca nas ideias de John Maynard Keynes a solução
para tirar a América do buraco. O New Deal é a intervenção do Estado no
processo econômico.
São destas três
fontes que bebe o mundo.
A Europa, depois de
duas guerras mundiais, apesar de algumas monarquias (Reino Unido, Espanha,
Dinamarca, Noruega, Suécia e os Principados de Mônaco, Luxemburgo, Andorra e
outros) soube se adaptar às relações entre capital e trabalho de maneira mais
equânime. A Europa sentiu a fome, a miséria, a tortura, o estupro, a
dilaceração dos corpos, a doença e desta tragédia surgiram governos mais
equilibrados, onde a distancia entre a elite e o povo diminuiu. A social
democracia foi responsável por parte disto.
A reconstrução europeia
financiada pelo EEUU através do Plano Marshall mostrou que o Estado é a mola
propulsora do desenvolvimento. O valor do Plano Marshall, atualizado, é de U$
100 bilhões de dólares. O Brasil gasta com juros da sua dívida pública R$ 400
bilhões de reais por ano. Mas, junto com o Estado que ampara nas horas de
crise, é preciso seriedade nos três pilares do poder. Executivo, Legislativo e
Judiciário.
Não por acaso, a
Europa é a melhor parte do mundo para se viver.
Educação de
qualidade, assistência publica de saúde, segurança, lazer, cultura, arquitetura
histórica preservada, gastronomia, bebidas de qualidade, sistemas de transporte
público, rodovias, ferrovias e aerovias, navegação de cabotagem e turismo.
Guernica de Picasso que
estampa os horrores da Guerra Civil Espanhola está em Madrid. A
Colheita de Van Gogh que retrata a fartura está em Amsterdam. Os dois
lados da vida...
Existem corrupção
politica, negociatas, fraudes e grandes assaltos na Europa. Existe violência
doméstica. Sim, existe tudo isto. Mas existe um sistema judiciário que pune a
todos.
Pois bem, voltemos ao
Brasil e ao bichinho da morte. O Corona vírus não é tão letal quanto foram as
duas guerras mundiais. Não é tão feio quanto foram as imagens daquelas guerras.
Não será mais trágico do que Nagasaki ou Hiroshima.
O Brasil elegeu um
novo presidente em 2018, depois de passar a limpo uma parte da sua História.
Diversos membros de partidos políticos saquearam empresas públicas em consórcio
com empresas privadas. A operação Lava a Jato mostra isto. A elite saqueou o
povo.
Quem é a elite? São
os que governam ou governaram, julgam ou julgaram, legislam ou legislaram.
Parte desta elite, aliada a setores empresariais, é podre. Diria até que parte
da mídia também é podre. Os donos do Capital formam as elites e pagam seus
representantes políticos.
O Brasil não sofreu
guerras, nem grandes catástrofes ou mortandades. Sofreu ditaduras. Sofreu.
De repente aparece o
Corona vírus em escala mundial e chega ao país. Instala-se no Palácio do
Planalto e no Congresso Nacional.
Começa seu ataque
pelas elites. Numa rapidez fulminante o governo monta um gabinete de guerra
elogiável, cria-se em 48 horas um sistema de votação à distância para aprovação
senatorial da situação de calamidade pública e a mídia bombardeia com as
medidas dos governadores.
O bichinho da morte
pode estar em qualquer lugar, inclusive no centro do poder.
Quando ocorre uma
tragédia como em Brumadinho - MG, fazem sobrevoos, batem fotografias e liberam
alguma verba pública.
É o que a elite pode
fazer. E o povo que fique entregue à sua própria sorte. Até hoje procuram pelos
corpos...
O ministro da
economia anuncia uma ajuda de R$ 200 reais por mês para os “autônomos” que
ficarão sem renda durante a crise.
Ele mesmo admite, são
38 milhões de autônomos mais 11 milhões de desempregados. Temos quase 50
milhões de brasileiros a ver os navios da elite. Isto é um quarto da população.
E são estes autônomos
que movimentam a base da economia, como já vimos anteriormente. A indústria não
reagirá se não houver compradores. E os compradores surgem com os autônomos.
Mesmo o setor público
poderá sofrer revezes salariais. Isto aumenta a dificuldade da recuperação
econômica.
Nós perdemos o ano de
2019, inteiro, para aprovar um regime de previdência que tirou de quem já teria
pouco para ter menos ainda.
Os juros,
amortização, rolagem e despesas financeiras da dívida pública consomem 50,7% do orçamento de 2020. Ou seja, a
metade. A elite retirou dinheiro da previdência para poder honrar a dívida
pública e a banca. As carreiras de Estado continuam com seus regimes integrais,
mas quem paga a previdência deles é o trabalhador autônomo, esse que vai
receber R$ 200 reais na crise.
Voltando ao ministro
Mandetta, espero que a reflexão seja mais intensa nas elites, pois se não for
por compaixão, será por compulsoriedade.
Pois se o sistema
quebrar ou quando quebrar, os que mais perdem são os que mais têm. As elites!
Assinar:
Postagens (Atom)



