quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Ubuntu, Mandela...




Ubuntu, Mandela...

Marcos Bayer



A Humanidade parou para assistir ao funeral de Nelson Mandela. Claro que a tecnologia de comunicação ajudou na difusão do espetáculo, mas a essência de Mandela foi maior.
A África deu ao mundo o maior político da era moderna. Resistente, determinado, inteligente, negro, pobre e preso foi sempre o mestre de seu destino e capitão de sua alma, inspirado pelo poema Invictus, de William Ernest Henley.
Uniu pessoas de todas as cores pela via política. Lutou, inclusive com armas, para garantir a paz. Fez da África do Sul uma nação de tolerância racial e ensinou a dignidade política. Elevou a atividade política aos picos mais altos da possibilidade humana. Foi um gigante risonho e firme que dizia: ”Algumas coisas sempre parecem impossíveis até que sejam realizadas”.
Morto, encheu um estádio de esportes com mais de 90 mil pessoas dançando e celebrando sua vida, sob a chuva da África. Sua obra foi a libertação e a elevação da dignidade humana. A África do Sul continua com vários com problemas. Compete aos seus sucessores a resolução. Ele fez a obra maior.
Teve a humildade de pedir: ”Não me julgue pelo meu sucesso, me julgue por quantas vezes eu caí e voltei de novo”.
Barack Obama, num discurso magistral, disse: Mandela nos ensinou não apenas o poder da ação, mas o poder das ideias. A força da razão, dos argumentos. A necessidade de estudar não apenas aquele com quem você concorda, mas aqueles de quem você discorda... Finalmente Mandela compreendeu os nós que unem o espírito humano... Há uma palavra na África do Sul: Ubuntu. Uma palavra que captura o maior presente de Mandela. Uma unicidade nos homens. Conquistamos a nós compartilhando com os outros, cuidando dos outros...
Mandela é um exemplo político para estes amadores que rapam a nação brasileira, pobres corruptos que nada mais possuem a não ser dinheiro, quase todo roubado. Iletrados com diplomas, ignorantes informados, insensíveis envergonhados, imbecis desqualificados...
”A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”, ensinava ele.
Mandela carregava em si o espectro humano. E repetia o poeta:
Dentro da noite que me rodeia
Negra como um poço de lado-a-lado
Eu agradeço aos deuses que existem
Por minha alma indomável



Ubuntu, Madiba...






Nenhum comentário: